quarta-feira, 13 de junho de 2012

Da morte, de quando se ainda é vivo

A pior morte, é aquela que a gente assiste
que acontece lentamente
da qual somos impotentes...
Que rezamos o luto em silêncio,
sabendo que não podemos frear o câncer
sabendo que não podemos tirar o mal com as mãos
sabendo que o vício pela dor é mais forte
Essa morte, que acontece antes mesmo da vida acabar
É a mais dolorosa
É a que choca mais
E consome lentamente, e faz sofrer como uma tortura excruciante
e faz sangrar, mesmo que não escorra sangue.

domingo, 4 de março de 2012

Os sonhos dele.

Os olhos dele
tão serenos, fechados e distantes.
Sua boca cerrada...
Um leve suspiro...
Contorno suas sobrancelhas, seu nariz
seu bigode.
Fico assim, a observar seus sonhos...

sábado, 26 de novembro de 2011

Etilista e suas filhas no meu consultório

Eu vou sair daqui
E eu não vou pra casa
você sabe o que eu fazer
tem uma pista lá em cima
E eu vou me jogar embaixo de um carro
Porque ninguém me ama...
E eu estou louca
e tenho que morrer, desesperadamente...

terça-feira, 1 de novembro de 2011

No fundo, escuro e assustador do meu coração

Essas cicatrizes que você me deixou
Todo esse espaço que falta preencher na minha sala
no sofá, e na minha cama,
foi você quem me deixou assim

Sem esperanças, ou mesmo medo
porque afinal, eu sei que você não pode voltar
ou que talvez você queira, ou me queira de volta

Acabou.

sábado, 20 de agosto de 2011

Sono morbido

era assim que sempre findava o dia
se cobria com três cobertas e se deitava sem travesseiros
queria mais se enterrar do que dormir.

mas era assim que se sentia melhor ao fim do dia
punha pijama e arruma aquele leito estranho e quente
e ficava enfurnada ali e imóvel ate o amanhecer

abria os olhos desiludida porque infelizmente nada daquilo tinha acabado
e reiniciava sua rotina.
e no escritório, a cada brecha que tinha,
imaginava o próprio funeral,
e quantas pessoas iriam
e quem nao iria.
e entao finalmente seria vista e comentada.

de resto sua vida, seguia vazia, e ardia.
mas nada fazia enfim,
alem de arrumar os tres cobertores,
para se acostumar com o caixão.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

medo

tão presente em meus textos
tão quente em meu ventre
revirando minhas entranhas
pulsando em meu peito

causa uma reviravolta, uma afronta
me traz um jornal com falsas noticias
cria cenas e vultos e fantasmas
e assobios de mentira

fiquei quase a ponto do manicomio
quase ao ponto do suicidio
quase ao ponto do asilo
do naufragio, da estupidez

este medo maldito de tudo.

domingo, 7 de agosto de 2011

domingo de manha



nesse domingo de manha,
acordei em seus braços
e parecia que tudo estava certo

tinha medo de escrever sobre isso
e a verdade se perder
e a tranquilidade acabar

mas nesse domingo percebi
que você está aqui me envolvendo
e seu abraço me faz querer ficar