segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

De certa forma

De certa forma, as palavras se perdem nesse abismo
De uma forma ou de outra, o silêncio prevalece
Mesmo que você tente acompanhar o eco.

De um jeito louco e descontrolado
descendo aquele barranco, com tantas pedras
sem freios, nem tempo, nem certezas

Esse fim acelerado que não chega
Que sempre chega
Que não se sabe quando vem
Mas aí está.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Nada além de nada

Nada além de nada
É essa falta de assunto
mesmo em momentos multitarefas
Esse silêncio me invade
Minha alma fica quieta
Aproveitando essa solidão
que por hora é gostosa e acalma
Nada além de uma boa calmaria.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Então, o recomeço

Há uma coisa linda no começo
essa sensação de esperança
que vai dar tudo certo

essas coisas novas
no novo apartamento

esse amor novo que enche
toda a cama

Existe essa sensação adorada
de satisfação
De como as coisas devem ser
melhores
De novo
Novo e brilhante.

Feliz 2011!

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

O fim

Há uma melancolia na despedida
na morte, na ida e no término
Há essa tristeza, esse apego
e todos nós sabemos,
não tem jeito
é inevitável, somos finitos.

Então os dias se passam
A angústia passa
Até a felicidade passa
Outros recomeçam,
e outros são enterrados
Outros ainda, cremados.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Sem sono

Não consigo dormir, Romeu
Não consigo te deixar em paz
Já contei mil vezes os carneirinhos
pulando e re-pulando aquela maldita cerca
Já me contei estórias tediosas
Mas o sono se foi nessa guerra

Agora estou aqui,
escrevendo pra você Romeu.
Minha última esperança
é falar dessa insônia
dessa desordem natural

Não consigo fechar os olhos,
sem sentir medo de te perder
sem acreditar que você vai morrer
que as portas vão se fechar
que o veneno é fatal
que isso é reduntante
que a Julieta se vai também
que há jacarés,
e vampiros e caixões.

Romeu, me deixe em paz
quero meu sono de volta
minha paz restaurada
quero minha consciência limpa
quero viver longe de você!

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Um vislumbre

Antes de jogar essa panela de arroz queimado fora,
tive um vislumbre:

Haviam moscas onde eles dormiam
Haviam.
E eles sentiam fome, e nada mais.
Porque já não sentiam.

Aquele cheiro forte de dor
Aquela cor, que era só a sujeira impregnada em suas peles
então, na verdade, não sabiam de que cor eram.
Não se viam mais.

Acordavam cedo, porque mal dormiam
E iam procurar no meio do lixo o que comer.
E não tinham luxo.
Comiam aquela comida amarga,
que era boa, porque não conheciam outro sabor no mundo.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Queria ser sua musa

Eu gostaria de vê-lo
derreter em meu alento
Balbuciar meu nome inúmeras vezes
implorar que eu fique perto

Queria que você me desejasse
que me amasse, enfim, por completo
Não só meu corpo,
nem só minhas curvas
ou minhas travessuras

Queria ser sua mulher por inteiro
Que você valorizasse como penso
e escrevo
O que leio, como e bebo
Que apreciasse o que falo,
que me contasse o que pensas
e me explicasse sobre seus sonhos e medo
e segredos.

Queria ser sua musa,
e pedir para me amar de manhã
até o dia virar noite
e me amar por completo,
do começo ao fim.